A violência contra os profissionais de enfermagem

A cada notícia que leio a respeito do assunto, chego à conclusão que é necessário dar um BASTA!

São incontáveis os casos de agressões verbais e físicas, sofridas pelos profissionais de enfermagem nos últimos tempos. A maioria causada pelos próprios pacientes ou por familiares ou acompanhantes desses pacientes.

E os agressores não se intimidam pelo fato de a maioria dos profissionais ser do sexo feminino, ou por suas condições físicas. Eles atacam profissionais mais velhas, mais frágeis. Atacam até profissionais gestantes. Um absurdo completo!

Estatística

Segundo o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) de São Paulo, mais de 70% dos profissionais já foram, de alguma forma, agredidos. Uma pesquisa feita pelo órgão, “Sondagem sobre Violência aos Profissionais de Enfermagem de São Paulo” demonstrou que 87,51% dos profissionais não registram queixa à polícia, 12,49% não levam o caso adiante e só 4,68 obtêm sucesso na resposta.

Infelizmente muitos não levam a queixa adiante, não denunciam, por medo de represália da família e do paciente, além de prejuízos e problemas no trabalho.

Motivos

Nenhuma agressão, física ou psicológica, jamais será justificável. Mas podemos elencar os principais motivos que levam o agressor às vias de fato. Em sua maioria, estão ligados à falta de estrutura dos hospitais. Veja:

  • Espera para marcar consulta
  • Falta de médicos
  • Falta de medicamentos
  • Falta de equipamentos disponíveis para exames específicos

Também existem outros motivos, relacionados ao atendimento:

  • Não concordância com a classificação de risco atribuída (todos se classificam como urgentes)
  • Choro apresentado pela criança durante o atendimento
  • Proibição de acompanhamento em exames e procedimentos
  • Demora no atendimento

Tipos de agressões

Como citei, as agressões podem ser psicológicas e físicas:

Agressões psicológicas:

  • Ofensas verbais
  • Xingamentos
  • Ameaças

Agressões físicas:

  • Arranhões
  • Lesões corto-contusas, por traumas feito por capacete. Isso mesmo, capacete!
  • Roupas rasgadas
  • Esganadura
  • Socos, que resultam em fraturas de face
  • Pontapés, que resultam em fraturas em geral
  • Mordidas

Depoimentos

Seguem alguns depoimentos coletados de publicações em jornais como “O Dia”, “Diário de São Paulo”, “Folha de São Paulo”, entre outros, de profissionais atacados:

“ Fui a nocaute com soco, apaguei”.

“E estava grávida de 18 semanas … a paciente partiu para cima de mim, arranhou os meus braços e rasgou o meu jaleco”

“A gente fica até aliviado quando o plantão acaba e só ouviu as ofensas de sempre como:  vagabundo…. eu pago o seu salário”.

“Ele agarrou o meu cabelo e me encheu de tapas porque demoramos a chegar. Fui salva pelo motorista”.

“[…] mas a família começou a me agredir, eram mais de cinco pessoas, recebi chutes no estômago e nas costas … após eu cair continuaram a me chutar na cabeça e por todo o corpo”.

Não sei se você sabe, mas no Coren – Bahia houve registro de agressão física e verbal por policiais a um auxiliar de enfermagem (servidor público há 38 anos) por ter sido responsabilizado pela fuga de um paciente sob custódia durante o atendimento. Definitivamente, é o fim dos tempos! Como se a responsabilidade por manter o paciente sob vigilância, e contê-lo caso tentasse fugir, fosse do auxiliar de enfermagem, e não da polícia!

O que fazer

Quando sofrer qualquer tipo de agressão, física ou verbal, ou mesmo ameaça, você deve imediatamente:

  1. Registrar o fato na própria instituição
  2. Fazer um boletim de ocorrência e exame de corpo de delito (se houver contato ou agressão física)
  3. E notificar o Conselho Regional de Enfermagem


O exame de corpo de delito consiste em “meio de prova no processo penal destinado a apurar os vestígios deixados, pelo criminoso, na vítima ou no próprio local do delito. O exame de corpo de delito direto consiste naquele realizado sobre os vestígios deixados pela infração, enquanto o indireto se efetiva por intermédio da oitiva de testemunhas, em decorrência do desaparecimento dos vestígios, consoante preconiza o artigo 167 do Código Penal”. Saiba mais no site www.jusbrasil.com.br

O perigo trabalha ao lado

Como se não bastassem as agressões que partem do público (pacientes, familiares e acompanhantes), ainda temos que lidar com agressões dos próprios colegas da equipe multidisciplinar, como nos casos:

  • Da enfermeira agredida por um médico obstetra, ao defender práticas humanizadas à parturiente, enquanto exercia suas atividades assistenciais;
  • Do técnico de enfermagem do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), agredido pelo médico de plantão com empurrões, por ter entrado na sala de emergência para relatar as condições clínicas da vítima;
  • Da enfermeira agredida por outra enfermeira, na disputa por um cargo de chefia;
  • Da técnica de enfermagem, também do SAMU, agredida com um golpe no abdome pelo médico ortopedista, devido a um encaminhamento para um hospital referência em trauma.

E como esses, milhares de casos ocorrem pelo pais afora, todos os dias, que não ficamos sabendo, pois não são registrados nem na polícia, nem nos hospitais, nem nos CORENs.

Se você já sofreu ou testemunhou algum tipo de agressão, por favor, conte sua história na área de comentários, no final da página. Se quiser, basta solicitar, e seu nome não será publicado.

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Prof. Dra. Elizabeth Galvão

Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN). É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.


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