Assédio moral ou cobrança profissional? Saiba como diferenciar


Amigo leitor, tudo bem?

Vamos dar sequência ao assunto iniciado pela professora Elizabeth Galvão no texto “Assédio Moral” (clique aqui para ler), porém, abordando alguns pontos que podem contrapor a influência maligna de empregadores e/ou colegas no ambiente de trabalho.

Com o auxílio da leitura anterior já citada, pudemos observar que assédio moral é um conjunto de atitudes agressivas e quase invisíveis exercidas durante a rotina corporativa, com a finalidade exclusiva de diminuir e humilhar o alvo das ações de forma suave e perversa, quase como um assassinato psíquico.

Percebemos também que a vítima de uma conduta abusiva e prolongada pode apresentar como sintomas uma série de consequências psicológicas que podem desencadear diversos comportamentos prejudiciais, como crises de choro, perda de autoestima e depressão, até problemas ainda mais sérios, como o desenvolvimento da Síndrome de Burnout (leia mais aqui).

Outra situação apresentada e que deve ser levada em consideração é que existe uma grande diferença entre o assunto que é tema deste post e a cobrança de deveres profissionais, desavenças eventuais, situações de stress e contrariedades. É preciso perceber as diferenças entre uma e outra forma de conduta para, aí sim, detectar uma situação perniciosa. O empregador (ou superior imediato) que exerce o seu poder de liderança cobrando, até mesmo de forma mais veemente, a entrega das tarefas que estão na pauta e devem ser realizadas tem uma grande diferença daquele que expõe a pessoa a situações vexatórias e de humilhação, por menor que ela seja.




É fato que as organizações de trabalho tornaram-se ambientes com excesso de condições negativas, como: escassez de recursos materiais, trabalhadores em número reduzido, metas incompatíveis com a realidade, falta de treinamento para o cumprimento das metas produtivas e gerenciais, prazos apertados etc. Tudo isso desencadeia tensões emocionais indevidas e prejudica o ser humano na sua dimensão profissional, com repercussões sistêmicas para o ser biopsicossocioespiritual.

Com todas essas informações em nosso poder, fica a pergunta: o que fazer para evitar o assédio moral no trabalho para que o ambiente dentro da empresa seja benéfico a todos?

Inicialmente precisamos discutir a questão do papel da empresa/empregadora na atividade laboral do individuo, sendo que é necessário entender que o trabalho compõe um dos ambientes mais próximos ao homem e cada vez se trabalha mais, pois “Ainda é preciso fazer mais, com menos recursos”, (Maximiano, 2009).

Por isso, a primeira providência a ser tomada tão logo o assédio moral seja identificado e configurado, é denunciar à diretoria da empresa e/ou aos órgãos competentes. A postura de indignação contra essa prática maliciosa é determinante para que ela seja extinta do ambiente onde se trabalha. Do contrário, a submissão fará com que as situações de degradação cresçam à medida que a vítima as aceite.

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS), diferencia os conflitos saudáveis das situações de assédio moral no trabalho:

CONFLITOS SAUDÁVEIS SITUAÇÕES DE ASSÉDIO MORAL
Regras e tarefas claras Regras ambíguas
Relações com colaboração Comportamento sem colaboração / boicote
Objetivos comuns e compartilhados Falta de previsão
Organização saudável Relações interpessoais ambíguas
Conflitos e confrontos ocasionais Ações sem ética e de larga duração
Estratégias abertas e francas Estratégias equivocadas
Conflitos e discussões abertas Ações encobertas e negação de conflitos
Comunicação sincera e honesta Comunicação indireta e evasiva

Sendo assim, minha sugestão para eliminar este mal do seu ambiente de trabalho é que, ao primeiro sinal de abuso, você adote iniciativas como estas:

  • Dê ciência ao agressor de que você está se sentindo assediado, de preferência com testemunha;
  • Contate e denuncie formalmente dentro da instituição a situação aos departamentos que tenham responsabilidade sobre a saúde e o bem-estar do trabalhador, tais como CIPA, medicina do trabalho, departamento de Recursos Humanos, entre outros, solicitando providências;
  • Reúna evidências das práticas de assédio, de preferência por escrito, tais como bilhetes, e-mails, documentos etc.;
  • Identifique testemunhas para a prova individual e institucional (colegas, sindicato, médicos do trabalho);
  • Paralelamente, denuncie a situação aos órgãos representativos de sua profissão, sejam eles conselhos, associações ou, principalmente, sindicatos;
  • Consulte um advogado para orientações individuais;
  • Persistindo a situação, acione as Delegacias Regionais do Trabalho, que têm a incumbência de verificar o cumprimento, por parte das empresas, da legislação trabalhista, bem como o Ministério Público do Trabalho, que  também tem o dever de dar proteção aos direitos fundamentais e sociais do cidadão diante de ilegalidades praticadas no âmbito trabalhista.





Os sindicatos e as entidades de classe não podem deixar de lado a responsabilidade pela prevenção do assédio moral, devendo exercer função protetora tanto no interesse coletivo quanto no interesse individual do trabalhador. Independente se o assédio moral seja direcionado contra uma pessoa ou um grupo de indivíduos, ele poderá refletir no ambiente de trabalho, desestabilizando-o por incutir nos demais trabalhadores o receio, o medo de que essa prática se tornará cotidiana e que ninguém fará nada para mudar.

Informação é poder. Divulgue, converse com seus colegas de trabalho sobre o assunto, encoraje seus amigos a denunciarem esta prática abusiva, sugira este tema para palestras e treinamentos junto aos recursos humanos de sua empresa.

Acabando com o assédio moral em sua empresa você gera mais qualidade de vida no seu trabalho.

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Prof.Ms. Juvenal Tadeu Canas Prado
Enfermeiro graduado pela Universidade Católica de Santos. Possui pós-graduação lato-sensu em Terapia Intensiva e Saúde Coletiva, título de Especialista em Terapia Nutricional pela Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral, e Mestrado em Educação pela Universidade Católica de Santos.

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