Derivação Ventricular Externa

Olá pessoal!

Hoje, atendendo ao pedido de uma leitora especial, escrevo sobre a Derivação Ventricular Externa (DVE).

Quando eu trabalhava na UTI e recebíamos pacientes com DVE, a maioria dos profissionais sentia-se insegura para prestar assistência e manter o paciente em segurança.

Eles tinham medo de assumir esse tipo de paciente devido às sérias complicações que poderiam surgir frente a alguma falha.




Definição

A Derivação Ventricular Externa é de suma importância nos cuidados à pacientes acometidos por emergências neurológicas, possibilitando a mensuração da pressão intracraniana (PIC), da pressão de perfusão cerebral (PPC) e o desvio do líquido cefalorraquidiano (LCR).

A DVE é necessária no tratamento de pacientes com distúrbios da circulação liquórica, pois a maioria desses pacientes tem hemorragia subaracnóide ou intraparenquimatosa. Também representa suporte no tratamento da hidrocefalia e em patologias como traumatismo cranioencefálico (TCE) e processos tumorais. Alguns pacientes têm lesões expansivas agudas requerendo DVE prévia ao tratamento definitivo.

O sistema de DVE pode ser conectado a um transdutor de pressão ou sistema de fibra ótica que permite a monitorização contínua da PIC.  A drenagem de LCR é quantificada em um dispositivo de sistema fechado. A bolsa coletora previne refluxo de líquor aos ventrículos.

O sistema deve ser fixado em um suporte próximo do leito para evitar desconexões acidentais e, também, distante dos membros do paciente, reduzindo as chances de contaminação por manipulação inadvertida ou desconexão.
Derivação ventricular externa - equipamentoAs principais desvantagens do uso desse cateter são:

  • Riscos potencialmente fatais de ventriculite, meningite ou ambos
  • Elevado risco de hemorragia recorrente, especialmente em pacientes com hemorragia subaracnóide e hidrocefalia aguda

Complicações

  • Oclusão ou desconexão – ocorre durante a manipulação do paciente; às vezes, se faz necessária a troca da válvula do sistema
  • Vazamento de líquor devido a fixação/sutura inadequada ou orifício maior do que o calibre do cateter
  • Saída acidental do cateter – por tração
  • Hemorragias durante a inserção do cateter – sangramento intraventricular
  • Infecção: ventriculomeningites, encefalites, empiema subdural, abscesso cerebral, podendo evoluir para sepse
  • Fístulas

Local de inserção

A colocação do cateter, geralmente,

é feita no ponto de Kocher, localizado de 2 a 3 cm da linha média ou linha mediopupilar – evitando o seio sagital – e a 1 cm anterior à sutura coronal – evitando a faixa motora -.(Falcão, 2015)

Derivação ventricular externa

Tempo de permanência do cateter

Em média 10 a 16 dias. Estudos descritos por Larsen, relatam um período médio de permanência do cateter ventricular de 9,5 dias, com tempo máximo de 29 dias e de 16 dias, com um período máximo de 44 dias.

Alguns diagnósticos de Enfermagem

  • Capacidade adaptativa intracraniana diminuída caracterizada por aumento da PIC e variação no teste de resposta volume-pressão relacionado ao aumento sustentado da PIC e ao trauma encefálico
  • Risco de perfusão tissular cerebral ineficaz relacionado ao trauma encefálico
  • Risco de infecção relacionado ao procedimento cirúrgico e dispositivo invasivo
  • Risco de desequilíbrio na temperatura corporal relacionado à inatividade, taxa metabólica alterada e uso de medicamentos
  • Risco para constipação relacionado ao repouso absoluto que diminui o peristaltismo e a agentes farmacológicos como sedativos e anticonvulsivantes
  • Integridade da pele prejudicada caracterizada por rompimento da superfície da pele e invasão de estrutura do corpo relacionada a DVE
  • Mobilidade física prejudicada caracterizada pela capacidade limitada para desempenhar as habilidades motoras e impossibilidade para virar-se relacionada a DVE e a medicamentos utilizados
  • Mobilidade no leito prejudicada caracterizada por capacidade prejudicada de reposicionar-se na cama, de virar-se de um lado para outro relacionada a DVE




Intervenções

  • Mantenha o paciente em decúbito elevado a 30º
  • Avalie o nível de consciência
  • Mantenha o sistema nivelado com o conduto auditivo externo do paciente – corresponde a uma altura de 10 a 15 cm de H2O na coluna de medida da Pressão Intracraniana (PIC); mantenha a altura de acordo com a orientação da equipe de neurocirurgia
  • Verifique o “zero” do sistema de drenagem utilizando como referência o meato auditivo externo e o orifício da câmara de gotejamento da bolsa de drenagem
  • Não eleve ou abaixe a cabeceira do leito sem fechar o sistema de drenagem, evitando o risco de drenagem excessiva de líquor que pode desencadear alteração da PIC, tontura, crise convulsiva; não esqueça de abrir o sistema após os procedimentos
  • Inspecione o local de inserção do cateter com frequência, anotando as características do sítio operatório
  • Anote o volume, aspecto e coloração da drenagem (LCR) a cada duas horas; se houver alterações no débito e sinais de infecção: alteração da coloração, febre, cefaleia, tremores, rebaixamento do nível de consciência, leucocitose, rigidez de nuca, episódios de vômitos, comunique a equipe médica
  • Observe se há presença de movimentos involuntários como convulsões, espasmos ou resposta inadequada da função motora (decorticação ou descerebração)
  • Manipule cautelosamente o paciente para evitar o tracionamento do cateter; se houver tração, não tente reposicionar: avise imediatamente a equipe de neurocirurgia
  • Fique atento para obstruções no cateter; caso ocorra obstrução, não tente desobstruir aspirando ou injetando solução no cateter; notifique a equipe médica
  • Troque o curativo (local da inserção do cateter) diariamente e quando se fizer necessário
  • Observe se há sinais de extravasamento de líquor ao redor do cateter
  • Despreze a bolsa coletora quando atingir 2/3 de sua capacidade, com técnica asséptica
  • Registrar o tempo de permanência do cateter (permanência de até 14 dias)

Créditos: Imagem 1 via; Imagem 2 via

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Prof. Dra. Elizabeth Galvão

Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN). É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.


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