Desequilíbrio Ácido-Base Para Interpretação da Gasometria Arterial – Parte 2

Na primeira parte, analisamos os distúrbios básicos do Desequilíbrio Ácido-Base. Agora, veremos os Mecanismos de Compensação. Para ler a Parte 1, clique aqui.

Mecanismos de Compensação

O organismo possui sistemas, mecanismos, que normalmente compensam e regulam o equilíbrio ácido-base, e seus efeitos são percebidos em diferentes períodos de tempo. São eles:

Sistemas-tampão

Regulam e corrigem os distúrbios ácido-base. Efeito imediato.

O sistema ácido carbônico-bicarbonato é o maior dos sistemas-tampão, e é o primeiro a ser ativado sempre que houver alteração do pH sanguíneo.

Mecanismo Pulmonar

Retém ou libera CO2. Efeito em minutos, ou horas.

O principal mecanismo de regulação respiratória do pH é a retenção de CO2 na alcalose, e liberação/eliminação de CO2 na acidose. Esse controle ocorre pela ventilação pulmonar:

  • Hiperventilação = eliminação de CO2
  • Hipoventilação = retenção de CO2

Mecanismo Renal

Retém ou excreta HCO3. Efeito em horas, ou dias.

O controle renal do pH ocorre por:

  • Excreção de ácidos fixos
  • Reabsorção do bicarbonato – HCO3 – túbulo renal




Exemplos

Exemplo 1:

Um distúrbio primário na concentração de bicarbonato (distúrbio metabólico) acarreta uma alteração compensatória na pCO2 (ventilação).

Observação: A compensação sempre ocorre na mesma direção do distúrbio primário.

Se a concentração de HCO3 diminui devido à acidose metabólica, a compensação respiratória se manifesta por diminuição da pCO2, pois o organismo fará hiperventilação para liberar CO2 e deixar o sangue alcalino, combatendo a acidose metabólica.

Ex: pH = 7,24 / PCO2 = 28 / HCO3 =10

Portanto temos uma acidose metabólica com compensação respiratória (alcalose respiratória – pouco CO2).

Quem manda no distúrbio é o sistema metabólico – mais alterado – primário.

A alteração do pCO2 é secundária. O organismo começa a hiperventilar para eliminar CO2 e melhorar a acidose.

Exemplo 2:

Um distúrbio primário na concentração de CO2 (distúrbio respiratório) acarreta uma alteração compensatória no HCO3 (liberação).

Lembre-se: A compensação sempre ocorre na mesma direção do distúrbio primário.

Se houver diminuição da pCO2 devido à alcalose respiratória, a compensação renal se manifesta por diminuição do HCO3, pois o organismo consumirá HCO3 para deixar o sangue ácido, combatendo a alcalose respiratória.

Ex: pH = 7,63 / PCO2 = 20 / HCO3 =18

Portanto temos uma alcalose respiratória com compensação metabólica (acidose metabólica – pouco HCO3).

Quem manda no distúrbio é o sistema respiratório – mais alterado – primário.

A alteração do HCO3 é secundária. O mecanismo renal começa a perder bicarbonato (saída de íons de hidrogênio das células) para diminuir a base e melhorar a alcalose.

Observação: A resposta compensatória normal do organismo nunca leva o pH à normalidade.

Simulação

Dada a seguinte condição: pH = 7,54 / pCO2 = 53 mmHg / HCO3 = 42 mEq/l:

pH = 7,54 = alcalose

HCO3 = 42 = alcalino

A direção da alteração anormal é a mesma:

Alteração inicial: Alcalose metabólica

Então, o outro parâmetro (pCO2 = 53 mmHg) é a resposta compensatória: retenção de CO2 para deixar o sangue mais ácido.

Portanto, a condição sugerida representa alcalose metabólica com compensação respiratória (acidose respiratória).




Exercícios

Exercício 1: pH = 7, 21 / pCO2 = 24 / HCO3 = 10

Exercício 2: pH = 7, 63 / pCO2 = 20 / HCO3 = 19

Exercício 3: pH = 7, 10 / pCO2 = 30 / HCO3 = 11

Exercício 4: pH = 7, 10 / pCO2 = 20 / HCO3 = 5

Exercício 5: pH = 7, 50 / pCO2 = 22 / HCO3 = 4

Exercício 6: pH = 7, 26 / pCO2 = 28 / HCO3 = 16

Baixe gratuitamente o material completo, incluindo as respostas dos exercícios, preenchendo o formulário abaixo.

Bons estudos!

Cadastre-se para receber o material do Desequilíbrio Ácido-Base

Preencha o formulário abaixo com seu nome e email, e enviaremos gratuitamente o material para download.

Nós respeitamos sua privacidade e jamais enviamos spam!

Compartilhe este artigo:

Prof. Dra. Elizabeth Galvão

Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN). É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.


Prof. Dra. Elizabeth Galvão on Linkedin
  • fortes

    E de grande importância, perfeito. Parabéns professora pela idéia. Abraços.

  • andrea

    isso me valeu muito para prova que vou fazer

  • andrea

    minha professora perfeita

Send this to a friend