Dimensionamento de pessoal de Enfermagem

Olá, meus caros.

O tema de hoje foi escolhido pelos leitores do site, e é bastante complexo.

Primeiro, vamos à definição: Dimensionamento de Pessoal de Enfermagem é um processo sistemático, que determina o número de profissionais por categoria, para oferecer assistência de enfermagem de qualidade, livre de riscos.

Posso falar sobre isso porque trabalhei por cerca de 25 anos em hospitais e, assim, aprendi muito. Também vivenciei inúmeros problemas em relação à assistência, e à gestão em Enfermagem.

Em outras palavras: sofri muito com a falta de pessoal.

Discutir esse assunto agora, de fato, é pertinente e necessário, pois tanto nas consultorias que realizei, quanto nos estágios que supervisionei, e nas atividades em sala de aula, seja na graduação ou na pós-graduação, verifiquei que os enfermeiros têm muito pouco ou quase nenhum conhecimento sobre o assunto, e isso dificulta demais o dia-a-dia.

É um tema que causa preocupação em nível nacional, principalmente para os enfermeiros com cargos de gestão, uma vez que a falta de profissionais para atender as necessidades dos pacientes compromete a qualidade da assistência, e implica em questões legais e ocupacionais.



Impactos da inadequação numérica de recursos humanos

Ter pouco pessoal, ou pessoal escalado de forma inadequada, ou insuficiente, gera impactos sérios:

Em relação à assistência ao paciente: a demanda de atendimento da clientela, principalmente a clientela com necessidades mais complexas, leva à sobrecarga de trabalho da equipe de Enfermagem, e o número insuficiente de profissionais dificulta a adoção de medidas para a qualidade da assistência. Portanto, o dimensionamento de pessoal também está relacionado à segurança do paciente.

Em relação ao profissional de enfermagem: a inadequação numérica de recursos humanos gera conflitos entre os profissionais. E esse conflito se repetirá várias vezes, pois se o dimensionamento estiver inadequado, surgirão a insatisfação da equipe de trabalho e o desgaste emocional e físico que dificulta o trabalho em equipe. Isso representa condições inapropriadas, e até terríveis, de trabalho. Muitos profissionais, trabalhando em unidades mal dimensionadas, apresentam processos de esgotamento profissional.

Em relação à gestão do serviço: o dimensionamento de pessoal inadequado, além de implicar em resultados negativos na assistência ao paciente, descumpre as normas técnicas, segundo a Resolução 293/2004 do COFEN, que fixa e estabelece parâmetros para dimensionamento do quadro de profissionais de Enfermagem, nos serviços de saúde e assemelhados.

Mas como resolver esse problema?

O enfermeiro necessita, basicamente, de três recursos:

  • Instrumentos para mensuração da necessidade de pessoal
  • Conhecimento para efetuar os cálculos necessários
  • Habilidade de negociação

A principal dificuldade é a falta de um instrumento que comprove a real necessidade de recursos humanos para o serviço de enfermagem. Os enfermeiros ainda se encontram presos às práticas tradicionais de gestão, considerando que todos os pacientes demandam, indistintamente, a mesma quantidade de cuidados.

Isso, definitivamente, está muito distante da realidade.

A utilização do Sistema de Classificação de Pacientes (SCP) permite a realização de um dimensionamento condizente com a realidade da instituição e, também, com as particularidades de cada unidade de internação ou unidades especiais, como Centro Cirúrgico, Pronto-socorro, e outras.

Depois, é fundamental conhecer os cálculos, absolutamente necessários para estabelecer a quantidade correta de profissionais por unidade, em relação ao tipo de assistência prestada, e ao número de leitos.




Por fim, é preciso negociar. E é impraticável negociar com os administradores da instituição sem ter conhecimento científico sobre o assunto. É preciso abandonar o empirismo e basear-se em referências bibliográficas, com o uso de ferramentas reconhecidas.

Conclusão

Uma atuação estratégica e proativa do enfermeiro é esperada pelo mercado de trabalho.

O dimensionamento de pessoal constitui-se em um valioso instrumento de gestão, auxiliando no processo decisório relacionado à recursos humanos, produtividade, relação custo-benefício e, acima de tudo, auxiliando na manutenção de ambiente saudável para os profissionais da equipe.

O enfermeiro com conhecimento suficiente para calcular a quantidade necessária de pessoal da sua unidade de trabalho, terá subsídios para enfrentar a negociação com os administradores da instituição, e isso vai fazer toda a diferença. Para ele, para a equipe e para os pacientes.

Se você é enfermeiro ou estudante de Enfermagem, e tem interesse em conhecer as técnicas de dimensionamento de pessoal, preencha o formulário abaixo.

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Prof. Dra. Elizabeth Galvão

Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN). É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.


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