Doenças ocupacionais – L.E.R. ou D.O.R.T.

Olá pessoal!

Atendendo a pedidos de leitores sobre enfermagem do trabalho e saúde ocupacional, abordarei hoje um problema que afeta não só os profissionais de saúde, mas todos os trabalhadores em geral, as Lesões por Esforços Repetitivos (L.E.R.) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados com o Trabalho (D.O.R.T.).

Primeiros, vamos à definição:

As lesões por esforços repetitivos ou doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho são definidas como “conjunto de doenças do trabalho que acometem tendões, sinóvias, músculos, nervos, fáscias e ligamentos, de maneira isolada ou associada, com ou sem degeneração de tecidos, atingindo não somente os membros superiores, mas principalmente a região escapular e pescoço”. (Bianco, 2014)

O exercício de qualquer atividade profissional sem preparo psíquico-emocional adequado e sem condições físicas apropriada para a função exercida expõe o trabalhador a possíveis distúrbios osteomusculares.

Fatores que favorecem o desenvolvimento da doença:

  • Prolongada posição de partes do corpo em tensão estática
  • Manutenção de postura inadequada na execução das atividades
  • Pressão desencadeada pelo processo de atendimento ou demanda
  • Uso inadequado de equipamentos/ferramentas
  • Pausas inadequadas
  • Esforços continuados e repetitivos
  • Horas extras de trabalho

Manifestações e sintomas

  • Sensação de fadiga muscular – formigamento (parestesia)
  • Desconforto
  • Hipertonia (aumento do volume dos músculos)
  • Deformidades
  • Dor, que pode ser:
    • regional ou difusa
    • leve, moderada ou aguda
    • superficial ou profunda
    • de origem somática – (rude, localizada conforme a lesão básica, exacerbada ao movimento e aliviada pelo repouso), neuropática (lesão neural insidiosa, persistente e progressiva) ou psicogênica (de origem piscoafetiva e que contribui para o agravamento e manutenção da dor). (Yeng et al, 1998)
    • referida – em estruturas distantes daquelas comprometidas
    • diurna (associada a execução de movimentos)
    • noturna (aguda e de remissão lenta, o que prejudica o sono e resulta em desgaste psíquico)
  • Edema
  • Hipotrofia por desuso (imobilidade)
  • Lesão tecidual (evidenciada por exame histopatológico) – mais rara
  • Angústia
  • Medo do presente e do futuro




Incidência

As doenças acometem mais as mulheres, pois elas não têm o mesmo potencial de desenvolvimento muscular dos homens.

Além disso, elas têm menor número de fibras musculares e menor capacidade de armazenar e converter o glicogênio em energia para ser utilizada, e seus ossos tendem a ser mais curso e leves, com áreas de junção mais reduzidas.

Os grupos de maior risco são aqueles que têm funções com limitadas variações de movimentos e uso de força na realização das atividades frequentes.

Segundo Couto (1997), o acúmulo de ácido láctico pode predispor o indivíduo a lesões. Assim, intercorrências de fatores pessoais – laborais ou psicossociais – aumentam a tensão e favorecem a incidência de LER

Mas, sem os fatores biomecânicos, não haverá quadro real de LER, embora estejam presentes manifestações como dores musculares, distúrbios gastrointestinais, palpitações, entre outros.

Diagnóstico

  • Investigar o processo laboral que resultou na inflamação
  • Realizar anamnese meticulosa
  • Acompanhar o caso

Exames complementares

  • Raio X e Artrografia – raramente há lesões ligamentares ou osteoartroses
  • Ultrassonografia (USG) – nem sempre há relação dos achados com o quadro apresentado
  • Eletromiografia (EMG) – é mais utilizada para diagnóstico e prognóstico de síndromes compressivas de nervos periféricos, como a Síndrome do Túnel do Carpo
  • Ressonância Magnética (RNM) – exame valioso para constatação de LER, principalmente se a dor for localizada e não evoluir de maneira migratória




Classificação

Há um grande número de patologias associadas ao trabalho.

Algumas patologias que afetam punhos e mãos:

  • Tenossinovite
  • Tenossinovite estenosante (dedo em gatilho)
  • Tenossinovit de DeQuervain
  • Síndrome do Túnel do Carpo
  • Síndrome do Canal de Guyon (túnel ulnar)

Patologia que afeta os cotovelos:

  • Epicondilite

Algumas patologias que afetam os ombros:

  • Bursite
  • Miosite e polimiosite
  • Síndrome cervicobraquial ou tensão braquial
  • Síndrome do ombro doloroso ou tendinite supraespinhoso

Tratamentos 

Medicamentoso: 

Os analgésicos e anti-inflamatórios são efetivos no combate a dor aguda e inflamação.

Na dor crônica é necessário associar psicotrópicos (antidepressivos tricíclicos e fenotiazínicos) para proporcionar efeito analgésico e ansiolítico e estabilizar o humor.

Fisioterápico: 

  • Massoterapia: variedade de técnicas de massagem terapêutica – estimulam a circulação, auxiliam a drenagem linfática, reduzem o edema e aliviam a dor.
  • Termoterapia: modalidades variadas de aplicação de calor e frio – diminuem a dor, promovem relaxamento muscular, aumentam a permeabilidade capilar, diminuem metabolismo celular, reduzem a inflamação.
  • Eletroterapia: estimulação elétrica transcutânea dos nervos (TENS), ondas curtas – promove analgesia.
  • Cinesioterapia: exercícios ativos e passivos – devem ser iniciados somente quando a dor diminuir.
  • Bloqueio de cadeia simpática: por meio de ultrassom, acupuntura, eletroacupuntura, laser ou anestésicos   – promove o alívio da dor, relaxamento muscular.
  • Exercícios de relaxamento: reduzem o edema e a inflamação, melhoram a circulação, aceleram o relaxamento muscular e o processo de cicatrização.

As imobilizações não devem ser mantidas por períodos prolongados, pois favorecem o aparecimento de síndromes de imobilização (atrofia, descalcificação dos segmentos imobilizados, entre outros)

Conforme Miranda (1998), os tratamentos mais indicados por tipo de lesão são:

– Lesões de ombro e pescoço: aplicação de ondas curtas e ultrassom;

– Radiculopatia: corticoidoterapia;

– Ombro doloroso: exercícios leves orientados

– Lesão de mão e punho: repouso, imobilização, anti-inflamatório e terapia de contraste de temperatura

Psicoterápico:

Apoio psicológico, principalmente nos casos que apresentam componente ansioso-depressivo, como:

  • Pressão para recuperação rápida;
  • Medo das consequências da doença;
  • Insegurança quanto ao retorno das atividades de trabalho;
  • Insegurança quanto a estabilidade do emprego.

Terapia de grupo com portadores de LER, socialização de experiências com a doença, de incapacidades e discussão e reflexão sobre dificuldades e sentimentos vivenciados.

Prevenção

O Enfermeiro do Trabalho, membro da equipe de saúde ocupacional, tem competências para realizar atividades de promoção da saúde, prevenção de acidentes e doenças relacionadas com o trabalho.

A equipe de saúde ocupacional tem um papel importantíssimo frente ao avanço incontrolado dessas doenças, atuando na orientação aos trabalhadores e intervindo no aparecimento dos sintomas, amentando dessa maneira, as chances de recuperação efetiva.

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Prof. Dra. Elizabeth Galvão

Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN). É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.


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