Esterilização por Óxido de Etileno

Hoje abordaremos o processo de esterilização com óxido de etileno, tão falado no meio hospitalar, mas, muitas vezes, desconhecido na sua essência.

O composto químico “óxido de etileno” – (C2H4O) – conhecido como éter cíclico, é um gás incolor, inodoro, volátil, tóxico, inflamável, eficaz mesmo em baixas temperaturas, que exerce ação germicida, esporicida, fungicida, viruscida e bactericida.

A esterilização por meio de óxido de etileno é um processo físico-químico, pois utiliza o gás e uma autoclave para executar o processo de esterilização.

Como ocorre o processo de esterilização?

A esterilização, ou seja, a eliminação microbiana se dá por meio da alquilação proteica (DNA e RNA) – impedindo o metabolismo celular normal e a replicação microbiana. (SOBECC – Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico)



A alquilação consiste na substituição do H dos grupos funcionais OH e SH pelos radicais Etil e Metil. Esta ligação inibe a produção de proteínas especificas, e com isto a morte do agente infectante. Trata-se de uma reação de deslocamento “ in vivo “, envolvendo uma reação nucleófila de sítio ativo dos ácidos nucléicos no interior da célula com a molécula de óxido de etileno; inibindo e modificando a síntese proteica, destruindo o ciclo de vida da célula. (ABE – Associação Brasileira de Esterilização)

Materiais indicados para esse processo

  • Borrachas sensíveis
  • Plásticos
  • Instrumental óptico
  • Material elétrico
  • Instrumentos delicados
  • Implantes: órteses e próteses

Fases do ciclo de esterilização

  • Carregamento da câmara
  • Umidificação e aquecimento da câmara
  • Programação do ciclo de esterilização
  • Remoção do ar por vácuo
  • Umidificação
  • Injeção do gás óxido de etileno
  • Tempo de exposição
  • Remoção do gás por vácuo
  • Remoção de resíduos – aeração

Processo de aeração

Aeração forçada: retirada do excesso de gás retido, por meio de injeções de ar filtrado estéril no interior da câmara, realizando trocas sucessivas até a remoção total ou quase total do gás. Esse procedimento dura em média 2 horas e 30 minutos.

Aeração natural: esta etapa dura de 24 horas a 48 horas e tem por objetivo retirar o restante de gás que porventura tenha ficado após a aeração forçada. Para isto, o material é acondicionado em sala específica, onde são realizadas aproximadamente 25 trocas de ar por hora a uma temperatura controlada entre 30 e 35 graus.

Vantagens

  • Grande poder de penetração e difusibilidade – para artigos estreitos, longos, delicados e porosos.
  • Solúvel em água
  • Eficácia em baixas temperaturas – para artigos termossensíveis
  • Compatível que a maioria dos polímeros plásticos

Desvantagens

  • É incompatível com líquidos, gorduras, óleos e pó
  • É tóxico: carcinogênico, mutagênico e neurotóxico
  • Risco ocupacional (riscos reais e/ou potenciais à saúde)

Embalagens para uso em ETO – (Possari)

  • Papel grau cirúrgico – composta por duas faces de papel ou uma de papel e outra de filme transparente. É resistente ao calor, tração e perfuração, além de ter baixo custo.
  • Filmes transparentes – compostos de polietileno, polipropileno, poliéster, nylon ou poliamida, PVC, poliestireno, acetato de celulose, entre outros. Permitem a visualização do conteúdo, são resistentes e tem alto poder de filtragem.
  • Papel crepado – composto de 100% de celulose tratada e tem alta eficiência de filtragem, constituindo-se numa barreira efetiva contra a penetração de micro-organismos. Além disso é flexível, resistente à ruptura, hidro-repelente, antiestático e atóxico.
  • Tyvek – composto de poliolefinas expandidas e Mylar (polietileno em tripla camada). Suporta altas temperaturas, é resistente à tração e perfuração, tem longa durabilidade e excelente barreira microbiana.
  • Caixas metálicas – devem ser perfuradas e recobertas com embalagens permeáveis ao agente esterilizante.
  • Contêiner rígido – são caixas (metal ou plástico termorresistentes, ou alumínio anodizado) perfuradas com proteção dos orifícios por meio de filtros microbianos de alta eficiência, permeáveis ao agente esterilizante. Estoca os artigos por várias semanas e é um meio de economizar espaço.
  • SMS – Não tecido – é o resultado da união de três camadas de não tecido 100% polipropileno. Conforme a norma ABNT NBR 13370:2002 “Não tecido é uma estrutura plana, flexível e porosa, constituída de véu ou manta de fibras ou filamentos, orientados direcionalmente ou ao acaso, consolidados por processo mecânico (fricção) e/ou químico (adesão) e/ou térmico (coesão) e combinações destes”.


Controle da eficácia do processo – (ABE)

  • Controles físicos: observação dos parâmetros de processo (registros)
  • Controles químicos: indicadores de processo, integradores, fitas
  • Controles biológicos: Bacillus Subtillis var. Niger, inoculação direta ou inoculação indireta
  • Controle de residual no ambiente: direto, por amostragem, ou sensores
  • Cromatografia gasosa: teste para quantificação dos resíduos de ETO e de seus subprodutos

Referências

  • Possari JF. Central de Material e Esterilização: Planejamento e Gestão, 3ª. ed., São Paulo: Iátria, 2007.
  • Souza AS, Sória DAC, Araújo JO, Silva MTS, Andrade NC. Embalagens para esterilização: suas aplicações e recomendações na prática hospitalar.R. Pesq. Cuid. Fundam. Online 2010. out/dez. 2(Ed. Supl.):316-319.
  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13370. Rio de Janeiro, 2002.

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Prof. Dra. Elizabeth Galvão

Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN). É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.


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