Hiperinsuflação pulmonar para a desobstrução ineficaz de vias aéreas

Já é sabido que os pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em uso de ventilação mecânica são fortes candidatos a desenvolverem infecções respiratórias por aumento na produção e retenção de secreção traqueobrônquica. A pneumonia associada à ventilação (PAV) é um dos principais fatores que contribuem para o aumento do tempo de internação, dos custos relacionados à saúde e da mortalidade.

Esse aumento de secreção se dá pela imobilidade, alteração da complacência pulmonar, hipoventilação e ausência do reflexo da tosse causados pela sedação. A falta do reflexo fisiológico da tosse leva ao acúmulo de secreção pulmonar que pode acarretar aumento de resistência das vias aéreas com obstrução parcial ou total e, consequentemente, hipoventilação alveolar, atelectasias, hipoxemia e aumento do trabalho respiratório.

A efetividade da tosse está diretamente relacionada com a força dos músculos expiratórios, o volume corrente e o pico de fluxo de tosse.

Esses pacientes com diagnóstico de desobstrução ineficaz de vias aéreas, ou seja, incapacidade de eliminar secreções ou obstruções do trato respiratório para manter uma via aérea desobstruída, apresentam características como:  mudanças na frequência respiratória, cianose, quantidade excessiva de secreção traqueobrônquica, ruídos adventícios respiratórios, murmúrios vesiculares diminuídos, tosse ausente, entre outros, e necessitam de cuidados especiais a fim de prevenir complicações.

As intervenções consistem em técnicas, manobras e utilização de recursos do ventilador para assegurar a higienização e a ventilação pulmonar adequada. A aspiração traqueal facilita a remoção das secreções das vias aéreas, mas quando utilizada isoladamente, pode ser ineficaz, higienizando apenas uma porção da via aérea.

Um recurso do ventilador possível é a hiperinsuflação pulmonar.

Essa técnica consiste em administrar elevados volumes correntes, com o aumento progressivo da pressão de suporte, até atingir uma pressão pico nas vias aéreas de 40cm H2O ou por meio do aumento da pressão positiva expiratória final (PEEP). Utiliza-se essa técnica para promover a expansão dos alvéolos colapsados, aumentando o fluxo aéreo para os sítios com atelectasia, por meio dos canais colaterais e da renovação de surfactante nos alvéolos. Também aumenta o potencial elástico de recolhimento pulmonar e o pico de fluxo expiratório, resultando na mobilização de secreções.

Um trabalho realizado por Chaves et al, neste ano, avaliou os parâmetros da mecânica pulmonar, hemodinâmica, saturação de oxigênio, volume corrente inspirado e o pico de fluxo expiratório de 18 pacientes em ventilação mecânica submetidos a hiperinsuflação pulmonar. O resultado apontou que a hiperinsuflação pulmonar provocada com o ventilador mecânico é uma medida segura, que não promove impacto clínico em variáveis hemodinâmicas e pode ser utilizada como coadjuvante na terapia de higiene brônquica devido ao seu potencial em aumentar o pico de fluxo expiratório e auxiliar no deslocamento de secreções.

Assmann et al, também, publicaram que a utilização da hiperinsuflação pulmonar com a utilização do ventilador mecânico comparada à aspiração traqueal isolada, em pacientes mecanicamente ventilados, resultou em maior quantidade de secreção aspirada. Registraram um aumento significativo do volume corrente expirado e da complacência dinâmica, e a diminuição significativa da pressão de pico inspiratória, após a aplicação da técnica.

Referências: Assmann CB,  , Vieira PJC,  Kutchak F, Rieder FM, Forgiarini SGI,  Forgiarini Junior LA. Hiperinsuflação pulmonar com ventilador mecânico versus aspiração traqueal isolada na higiene brônquica de pacientes submetidos à ventilação mecânica. Rev Bras Ter Intensiva. 2016;28(1):27-32. Chaves MJ, Pedreira MJR, Feliz JE, Filho CA, Baptista AF. A Hiperinsuflação pulmonar induzida pelo ventilador mecânico em pacientes intubados como terapia de higiene brônquica. Revista Pesquisa em Fisioterapia. 2016 Ago;6(3): 291-297.

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Prof. Dra. Elizabeth Galvão

Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN). É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.


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