Caso clínico: hiperplasia de próstata benigna

No Caso Clínico de hoje, vamos abordar a hiperplasia de próstata benigna, que constitui uma das doenças mais comuns do homem adulto. Dois a cada cinco homens com idade acima dos 50 anos podem desenvolver a HPB e as chances aumentam para três a cada quatro homens acima dos 70 anos (BRASIL, 2015).

Caso:

JCS, 74 anos, sexo masculino, procurou o Pronto-Socorro municipal da cidade, com queixa de dificuldade miccional. Relatou que há mais ou menos um ano observou diminuição do jato urinário e aumento da frequência urinária, que evoluiu nas últimas semanas com sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e necessidade de esforço abdominal às micções (sintomas obstrutivos). Nas últimas 24 horas, percebeu piora acentuada dos sintomas, apresentando micção em gotas, polaciúria, disúria, noctúria e incontinência de urgência – perda involuntária de urina após forte sensação de urgência para urinar – (sintomas irritativos) associada à dor intensa e desconforto na região suprapúbica.

Antecedentes pessoais:

Diagnóstico de hiperplasia prostática benigna – não seguiu as orientações e o tratamento.

Nega Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes Melito

Exame físico:

Abdome = plano, flácido, indolor, com ruídos hidroaéreos (RHA) presentes, região suprapúbica distendida e globo vesical palpável.

PA = 140 x 80mmHg; FC = 92 bpm; FR = 18 ipm; T = 36,5 o. C

Hipóteses diagnósticas:

  • Retenção urinária por hiperplasia de próstata benigna
  • Redução da função renal

Procedimentos realizados:

Cateterismo vesical de demora (Sonda Foley)

Exames laboratoriais: 

Laboratorial:

Hematócrito (Ht) = 44%

Hemoglobina (Hb) = 14g/dl

Hemácias = 4,8 milhões/mm3

Leucócitos = 8.000/mm3

Plaquetas = 210.000/mm3

Glicemia em jejum = 98 g/dl

Ureia (U) = 76 mg/dl

Creatinina (C)= 2,2 mg/dl

Potássio (K) = 4,2 mEq/l

Sódio (Na) = 135 mEq/l

Imagem:

USG de vias urinárias: hidronefrose bilateral

Analisando

Micções que não promovem o esvaziamento satisfatório da bexiga resultam em volume urinário residual e retenção urinária devido à distensão progressiva da bexiga.

Algumas situações contribuem para a retenção urinária como a contratilidade reduzida do músculo detrusor e a obstrução infravesical por aumento da glândula prostática.

A HPB é uma condição clínica caracterizada pelo aumento benigno da próstata, que atinge grande parcela dos homens. Sua incidência aumenta com o avança da idade e podem ser encontradas em 40% dos homens com mais de 70 anos. São fatores de risco: idade superior a 50 anos, hereditariedade, presença de níveis elevados de andrógenos (testosterona/diidrotestosterona)

A hiperplasia das células do estroma e do epitélio da glândula prostática resultam em aumento volumétrico e possível interferência no fluxo normal de urina causada pela compressão da uretra prostática e pelo relaxamento inadequado do colo vesical. Consequentemente há dificuldade de esvaziamento vesical e manutenção de urina residual, o que eleva o risco de infecções do trato urinário. O esforço no ato miccional, aumenta a pressão no interior da bexiga que é transmitida aos ureteres e rim, podendo levar a hidronefrose e comprometimento da função renal (insuficiência renal de causa pós-renal)

Hiperplasia Prostática Benigna

Alguns diagnósticos de enfermagem

  • Dor aguda (experiência sensorial e emocional desagradável que surge de lesão tecidual real ou potencial com duração de menos de seis menos) caracterização por dor e desconforto na região suprapúbica e disúria relacionada ao aumento da próstata e a obstrução do fluxo da urina
  • Conforto prejudicado (falta percebida de sensação de conforto, alívio e transcendência nas dimensões física, psicoespiritual, ambiental, cultural e social) caracterizado por desconforto na região suprapúbica, polaciúria e falta de controle da situação
  • Eliminação urinária prejudicada (disfunção na eliminação da urina) caracterizada por polaciúria, diminuição do jato urinário, dor na região suprapúbica relacionada ao esvaziamento vesical incompleto secundário à obstrução prostática
  • Incontinência urinária de urgência (perda involuntária de urina que ocorre imediatamente após uma forte sensação de urgência para urinar) caracterizada por relato de urgência urinária relacionada à as manifestações prostáticas irritativas.
  • Risco de infecção (risco aumentado de invasão por organismos patogênicos) relacionado a urina residual e necessidade de procedimento invasivo: cateterismo vesical de demora
  • Retenção urinária (esvaziamento incompleto da bexiga) caracterizada por disúria, polaciúria, distensão vesical, gotejamento e urina residual relacionada à obstrução infravescial secundária a hiperplasia da próstata.
  • Padrão de sono prejudicado (interrupções da quantidade e da qualidade do sono, limitadas pelo tempo, decorrentes de fatores externos) caracterizado pela noctúria relacionada à hiperplasia da próstata
  • Conhecimento deficiente (ausência ou deficiência de informação cognitiva relacionada a um tópico específico) caracterizado por seguimento inadequado de instruções relacionado a falta de interesse no tratamento.

Terapia medicamentosa

  • Inibidores da 5-alfa-redutase (Finasterida / Dutasterida) – atuam na enzima 5-alfa-redutase, inibindo a produção de di-hidrotestosterona (DHT)
  • Alfa-bloqueadores (Tamsulosina, Alfuzosina, Doxazosina, Prazosina, Terazosina) – agem através do antagonismo dos receptores adrenérgicos responsáveis pelo tônus muscular liso dentro da próstata e no colo vesical
  • Agentes fitoterápicos (Pygeum africanum e a Serenoa repens)

Tratamento cirúrgico

  • Ressecção transuretral da próstata (RTU-P)
  • Incisão transuretral de próstata
  • Prostatectomia aberta

Atuação do enfermeiro

  • Avaliar a compreensão do paciente sobre o seu estado cínico e a necessidade de procedimentos invasivos
  • Fornecer orientações sobre a importância da continuidade do tratamento
  • Avaliar a intensidade e característica da dor
  • Avaliar a resposta ao tratamento de desobstrução do trato urinário
  • Evitar dobras ou torções na extensão da bolsa coletora de urina
  • Avaliar alterações macroscópicas na urina: coloração, presença de sedimentos, hematúria e aspecto da urina
  • Avaliar os resultados dos exames laboratoriais – leucograma, urinálise e urocultura
  • Monitorar a micção quando o cateter vesical for retirado: desejo miccional, fluxo, esvaziamento vesical, exame abdominal (região suprapúbica)
  • Manter técnica asséptica na introdução do cateter vesical e promover higiene do meato urinário diariamente e quando necessário
  • Monitorar a temperatura corporal

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Prof. Dra. Elizabeth Galvão
Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN). É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.
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