O papel da alimentação na formação e prevenção do cálculo renal

Sou a Professora Fabiana Sanches da Mota Ribeiro, e gostaria de compartilhar aqui no SaúdeExperts um texto escrito por minhas alunas Giovana Beringer e Silva, e Lilian de Fátima Nogueira, do curso de Nutrição da Universidade Paulista, UNIP.

O cálculo renal, doença popularmente conhecida como pedra nos rins, é uma das condições mais comuns do trato urinário, e acomete de 5 a 15% da população em ambos os sexos. Diversos fatores são relacionados à predisposição desta doença, tais como: idade, gênero, sedentarismo, ocupação, aspectos geográficos ou climáticos, hereditariedade, sobrepeso, obesidade e alterações anatômicas e metabólicas do próprio organismo.

Os sintomas mais manifestados são: dor lombar de início súbito, que pode ser acompanhada de náuseas e vômitos, e perda de sangue na urina (visível ou não). O diagnóstico da nefrolitíase pode ser representado por exame de urina e/ou de imagem (ultrassonografia).

Dentre os fatores ambientais citados anteriormente, vale destacar o papel relevante que a dieta exerce sobre a composição urinária, tanto na promoção, quanto na inibição da formação de cálculos. Entre os vários nutrientes implicados, destacam-se: cálcio, oxalato, sódio, potássio, vitamina C, proteína, purinas, carboidratos, magnésio, fibras alimentares, lipídeos e líquidos.




No passado, o cálcio era visto como vilão, como fator de formação de cálculo. Por este motivo, alimentos fonte desse mineral, como leite, queijo e iogurte eram restringidos. No entanto, a partir de estudos realizados na década de 90, essa restrição foi revisada já que o baixo consumo de alimentos ricos em cálcio se associava com a perda de massa óssea, além de contribuir com a diminuição da eliminação de oxalato urinário, mineral este muito mais envolvido com a formação de cristais que levam à formação de cálculos.  Sendo assim, a recomendação atual de cálcio para portadores de cálculo renal é a mesma utilizada para a população geral, que pode ser alcançada com o consumo de 3 porções de leite e/ou derivados por dia.

Conforme citado, o mineral principal responsável pela formação da pedra de oxalato de cálcio, é o oxalato livre, ou seja, quando não há consumo suficiente de cálcio para “grudar” nesse oxalato. No entanto, como esse mineral está abundante na nossa alimentação, é muito difícil (e não recomendada) a exclusão do mesmo. Porém, alguns alimentos são fontes importantes de oxalato e devem ser consumidos com moderação, são eles: espinafre, beterraba, amendoim, gérmen de trigo, refrigerantes escuros, chocolate (cacau) e escarola.

Outro fator que auxilia na formação de cálculo renal é o excesso de sal da alimentação. Quanto maior o consumo de sal, maior a perda urinária de cálcio na urina. Vale lembrar que o cálcio é o nutriente que impede o oxalato de ficar livre no rim e iniciar o processo de cristalização. Por este motivo, o consumo de sal não deve ultrapassar 5 gramas por dia. Alimentos ricos em sal como embutido, carne processada, enlatado, congelado, sopa pronta, macarrão instantâneo, tempero pronto, molho para salada pronto, refrigerante zero entre outros, devem ser evitados.

Agora que já se discutiu sobre os alimentos que contribuem para a formação da pedra no rim, vale destacar aqueles que são bons para a saúde renal. O mineral potássio encontrado amplamente em frutas e hortaliças é um nutriente importante para prevenção do cálculo renal. Para conseguir esse efeito protetor, o consumo de frutas deve ser no mínimo de 3 porções por dia e, de hortaliças, 4 porções dia. O potássio é muito sensível ao processo de cocção, ou seja, consumir o alimento in natura é sempre mais saudável. Alguns exemplos de alimentos ricos em potássio: água de coco, melão, banana nanica ou prata, maracujá, mamão, goiaba, figo, uva, laranja pera, tomate, feijões, verduras, entre outros.




Por último, a hidratação adequada é de extrema importância para diluir a urina e evitar a cristalização da mesma e a consequente formação de cálculo renal. A ingestão de líquidos deve ser aproximadamente de 1,5 – 2,0 litros por dia.

Desse modo, a manutenção de uma boa hidratação aliada a bons hábitos alimentares como, redução do consumo de sódio, gordura saturada e alimentos calóricos, em conjunto ao consumo adequado de alimentos fonte de cálcio, vitamina C e potássio, podem minimizar as chances da formação de cálculos renais e sua recorrência. Merece destaque o uso dos suplementos alimentares, pois indivíduos com predisposição para formação de pedra no rim podem piorar sua condição já que o uso excessivo de algumas substâncias aumenta a cristalização renal e dificulta a excreção do excedente. Por este motivo, os casos devem ser avaliados individualmente. Na dúvida, procure um nutricionista ou médico para receber orientação adequada, nunca faça dieta por conta própria ou utilize medicação sem receita médica.

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Prof.Ms. Fabiana Sanches da Mota Ribeiro

Graduada pela Universidade Católica de Santos, é Especialista em Nutrição Clínica aplicada as doenças renais – UNIFESP, e Mestre em Ciências – UNIFESP


  • Fran

    Parabéns Colegas de classe Giovana e Lilian. Ótimo texto com tema interessante e atual. E acompanhadas dessa professora maravilhosa Fabiana, ficou ainda melhor. bjosss.

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