Os desafios do dimensionamento de pessoal

Desde que publiquei o artigo sobre Dimensionamento de Pessoal (que você pode ler aqui), recebi inúmeros e-mails e vários comentários na página do SaúdeExperts, no Facebook, em sua maioria afirmando que dimensionar pessoal na teoria é fácil, mas na prática é difícil.

Eu concordo, parcialmente.

Realmente, dimensionar pessoal não é tarefa simples, e há várias dificuldades. Posso listar algumas:

  • Falta de domínio da metodologia para calcular a quantidade necessária de profissionais;
  • Falta de conhecimento sobre as técnicas de negociação;
  • Dificuldade de algumas instituições em reconhecer o processo de gestão no papel do enfermeiro, atribuindo-lhe somente atividades assistenciais;
  • Baixo poder decisório do enfermeiro em relação ao cálculo e à contratação de pessoal, principalmente em instituições públicas;
  • Instituições que objetivam a produtividade a um menor custo, com a menor quantidade de pessoal possível.

Sim, tudo isso faz parte da realidade da Enfermagem, no Brasil.




Dimensionar o pessoal de enfermagem para um hospital não é simplesmente preencher fórmulas. Os enfermeiros devem ser coerentes com as exigências da instituição e, por meio de conhecimento e habilidades gerenciais, apresentar para a direção da instituição uma proposta de dimensionamento que atenda às necessidades específicas de cada setor, considerando a situação econômica do país, as condições da região e as características da instituição.

Quando o dimensionamento é mal feito, ou nem é feito – como acontece bastante, há consequências físicas e emocionais, cumulativas, sobre cada membro da equipe:

  • Sentimento de impotência por ver o número inadequado de pessoal para atender a demanda;
  • Conflito interior entre aquilo que é ideal, em termos de qualidade, e o que é real;
  • Exaustão por sobrecarga de trabalho, levando à Síndrome de Burnout (já escrevi um artigo sobre isso, que você pode ler aqui);
  • Decepção com a profissão.

Mas tenho que dizer: para que isso mude, precisamos sair da zona de conforto, e enfrentar o problema.

Fazer o que é preciso

O primeiro passo é conhecer em profundidade a metodologia e os cálculos, e utilizar os resultados obtidos para criar uma estratégia de negociação.

Vários profissionais me procuram para obter ajuda no dimensionamento, alegando que os cálculos são muito complexos, e que têm muita dificuldade em negociar o aumento do quadro de profissionais, com as instituições.

A negociação é uma comunicação bilateral concebida para chegar a um acordo, quando você e o outro lado têm alguns interesses em comum e outros opostos (Fisher et al, 1994).

Para negociar você precisa estar muitíssimo bem fundamentado. Precisa de dados sólidos, de números consistentes. Não adianta apenas dizer que há pouco pessoal, mesmo que isso seja evidente. É preciso mostrar, matematicamente, que há uma quantidade mínima necessária de profissionais, e essa meta precisa ser perseguida, por você, por sua equipe e pela administração.

Por exemplo, se o quantitativo de profissionais for inferior ao número necessário para atender a demanda, a sobrecarga de trabalho é inevitável. A sobrecarga leva à rotatividade de pessoal, o que implica continuamente processos de demissão, admissão e treinamento, mantendo os custos altos. Esse é um dos vários fatores que podem e devem ser utilizados como argumentos sólidos em uma negociação.

Além de dados consistentes e precisos, que você só consegue obter se souber utilizar as fórmulas de dimensionamento de pessoal, você deve atuar com bom senso e espírito empreendedor, que não está somente naquele que abre o seu próprio negócio, mas também naquele que demonstra atitudes de “dono”, autoconfiança, otimismo, iniciativa, criatividade, entre outras características, no hospital ou instituição em que trabalha.




Segundo o consultor Joacir Martinelli, “o que se espera são pessoas ativas, que vivam profundamente suas metas, que assumam a responsabilidade pessoal de implementar novas ideias e transformá-las em sucesso”. Para ele, os intrapreneurs (empreendedores internos), fazem a diferença entre o sucesso e o fracasso da empresa”.

Então:

  • Seja proativo e coloque o assunto do correto dimensionamento de pessoal em pauta;
  • Estude em profundidade a metodologia e os cálculos;
  • Reúna dados consistentes;
  • Monte uma estratégia de negociação com a instituição;
  • Pondere a situação econômica, as condições da região e as características do hospital;
  • Seja flexível, para que seu plano seja viável.

Devido ao grande número de pedidos, vou aprofundar o assunto em posts futuros.

Compartilhe o artigo com seus colegas e amigos em suas redes sociais:

SE VOCÊ É ENFERMEIRO, TÉCNICO OU ESTUDANTE DE ENFERMAGEM, FAÇA PARTE DA NOSSA LISTA DE LEITORES!

Cadastre seu email para receber gratuitamente nossos artigos, matérias e atualizações!

Nós respeitamos sua privacidade e jamais enviamos spam!

Prof. Dra. Elizabeth Galvão

Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN). É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.


Prof. Dra. Elizabeth Galvão on Linkedin

Send this to a friend