Relacionamento interpessoal no trabalho

O artigo de hoje traz um dos temas pedidos pelos leitores, na pesquisa que fizemos por email. Trata-se de um assunto difícil, mas que faz parte do cotidiano dos profissionais de saúde: relacionamento interpessoal no trabalho.

Primeiro, uma definição:

“As relações interpessoais se estabelecem a partir de um processo de interação entre os membros de uma mesma equipe, criando-se vínculos profissionais, uma condição relacional entre trabalhadores, a fim de executarem uma ação coletiva, e alcançarem um objetivo em comum”. Wagner et al, 2009.

Como a jornada das instituições de saúde é de no mínimo seis horas, e no máximo de doze horas consecutivas de trabalho, pode-se afirmar que são longos os períodos de interação entre profissionais, sem levar em conta o desgaste adicional daqueles que tem duplo vínculo empregatício.

O enfermeiro, além do relacionamento entre profissionais da mesma área, precisa também se relacionar com outras equipes, como a equipe médica, a equipe de fisioterapia, e a equipe de nutrição. Como em qualquer empresa, que reúna pessoas de várias disciplinas, haverá queixas de várias partes.

No entanto, as maiores queixas dos profissionais de enfermagem estão relacionadas à própria equipe de enfermagem, e à equipe médica.

Queixas em relação à equipe de enfermagem:

  • Ausência de trabalho em equipe – resulta em um trabalho fragmentado, onde cada profissional faz a sua parte, não se importando com o todo;
  • Falta de ética profissional – competição entre pares, egoísmo e individualismo. Tudo isso deve ser substituído pela verdadeira ética profissional, que não deve ser interpretada como conivência e ou corporativismo;
  • Maledicência – criticar o chefe ou os colegas na presença de outros funcionários ou pacientes. Inconveniência e desrespeito desequilibram as relações. É necessário cultivar as virtudes, tais como, respeito, cooperação e convivência saudável, para obtermos dignidade.

Queixas em relação à equipe médica:

  • Subserviência em relação à medicina – mito que confere subalternidade ao trabalho da enfermagem em relação à medicina. “No atual momento, a sobreposição do poder médico sobre as demais profissões, tem-se relativizado em termos de formação e de regras do exercício profissional, o que contribui para o fortalecimento e reconhecimento das outras disciplinas que compõem a área da saúde”. (Nascimento. & Erdmann, 2006)
  • Pouca valorização do profissional enfermeiro – ausência de reconhecimento profissional tanto pelos médicos, quanto por outros profissionais da saúde.





Talvez isso ocorra porque o enfermeiro realmente não mostra o seu conhecimento e a importância do que faz.

Acredito que uma forma de melhorar o conflito enfermeiro x médico seja investir na obtenção de comunicação clara e eficaz, e compreensão de cada um acerca do seu papel no atendimento ao paciente, além da importância da boa relação para a qualidade da assistência.

A insatisfação no trabalho também interfere nas relações e pode ser decorrente de vários fatores, entre eles a estrutura física inadequada, recursos materiais insuficientes, falta de autonomia, sobrecarga de trabalho, baixa remuneração, falta de reconhecimento profissional e recursos humanos mal dimensionados.

Vejam: novamente, o dimensionamento de pessoal inadequado prejudica o bom andamento do serviço. No contexto citado, ele provoca insatisfação que, consequentemente, prejudica as relações interpessoais.

Além desses fatores, sou da opinião que o relacionamento interpessoal da equipe de enfermagem está intimamente ligado ao tipo de liderança do seu supervisor ou gestor.

Acredito que a liderança democrática seja a mais apropriada, pois busca atingir seus objetivos por meio de atitudes que se aproximam do modelo participativo, valorizando as relações interpessoais e o desenvolvimento profissional.

Entretanto, nem todas as lideranças são democráticas e, às vezes, os enfermeiros têm que lidar com chefes autoritários, centralizadores, coercitivos, tornando a relação um sofrimento psíquico.




Portanto, adote atitudes que neutralizem essa situação, como:

  • Tenha boa comunicação – aperfeiçoe sua comunicação para que o seu superior note que você é bom naquilo que faz;
  • Tenha autoconfiança – não deixe que o supervisor duvide das suas capacidades e habilidades. Dê o seu melhor, trabalhe da melhor maneira possível. Assim, será capaz de vencer os obstáculos do dia-a-dia;
  • Seja um bom ouvinte – demonstre ao seu superior que está ouvindo atentamente o que lhe foi solicitado, pois isso revela preocupação em desempenhar bem as suas funções, revelando responsabilidade;
  • Construa relações – tenha boas relações com os colegas de trabalho, com os pacientes e familiares. Isso contribuirá para uma imagem positiva sobre você;
  • Conheça bem seu superior – descubra as atitudes que ele não gosta e tente evitá-las;
  • Antecipe-se – com o decorrer do tempo você conhecerá bem o seu superior, o que ele tem hábito de pedir, ou como aprecia a execução de uma atividade. Isso lhe permitirá antecipar as necessidades e surpreendê-lo com eficiência;
  • Aceite novas formas de trabalho – se lhe for solicitado alguma atividade nova, não rejeite. Aperfeiçoe seus conhecimentos para poder realizá-la. Isso vai fazer muita diferença, pois mostra o quanto você está aberto a novas opções;
  • Seja flexível – esteja aberto a mudanças e reconheça seus erros. A flexibilidade é vista como competência e, atualmente, exigida nos ambientes de trabalho;
  • Empenhe-se – demonstre sua opinião a respeito do que lhe é proposto. Não concorde com tudo. Dedique-se ao que está fazendo e faça com esmero. Siga seus objetivos até concluí-los.

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Prof. Dra. Elizabeth Galvão
Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN). É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.
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