Síndrome de Takotsubo: conheça essa miocardiopatia por estresse

Recentemente, estava em aula comentando com alunos sobre o ritmo frenético do dia-a-dia, o corre-corre, que é como a maioria das pessoas leva a vida para dar conta dos seus compromissos, e concluímos que as pessoas têm a sensação que as 24 horas do dia são insuficientes para tantas atividades.

Comentei que, graças a esse comportamento frenético, as pessoas acabam sofrendo das chamadas doenças emocionais, como ansiedade, estresse, depressão, bem como, o enfrentamento de situações difíceis, desencadeadas por esse cotidiano.

Então, imediatamente, lembrei-me e citei a Síndrome de Takotsubo, que foi tema de pesquisa da acadêmica, atualmente enfermeira, Cleyane Lima Nogueira. Ela descreveu um relato de caso (história oral) de um paciente acometido por essa síndrome associada a um evento estressor.

O paciente sofreu estresse no trânsito, a caminho de uma reunião. Ao chegar, já estressado, teve de esperar por muito tempo, o que gerou mais estresse. Para completar, a reunião foi adiada, não aconteceu, e prejudicou um negócio que estava em andamento. O estresse então, foi total.

Por ser considerada uma doença rara, e estudos apontarem que alguns casos, cerca de 2,2%, de Síndrome Coronariana Aguda (SCA) são, na verdade, Miocardiopatias de Takotsubo, resolvi compartilhar essas informações com vocês.

A Síndrome de Takotsubo, chamada de Síndrome do Coração Partido (Broken Heart Syndrome), ou Síndrome do Abaulamento Apical ou Miocardiopatia por estresse, entre outras inúmeras designações, foi diagnosticada pela primeira vez no Japão, em 1990, e recebeu esse nome por assemelhar-se com uma armadilha utilizada na pesca de polvos.




Definição

Síndrome rara, caracterizada pela presença de movimento discinético transitório da parede anterior do ventrículo esquerdo, com acentuação da cinética (hipercinesia) da base ventricular (Lemos et. al)

Etiologia/ Epidemiologia

Várias teorias têm sido propostas, porém a mais consensual é o excesso de catecolaminas. Um estresse físico ou emocional pode induzir a excitação do sistema límbico, levando à libertação local de catecolaminas e estimulação miocárdica adrenérgica, que compromete a viabilidade dos miócitos e a contratilidade cardíaca.

Acomete mais a população do sexo feminino, no período pós-menopausa, entre 55 e 75 anos, provavelmente por susceptibilidade biológica. A influência de hormônios sexuais não é clara.

O evento traumático mais evidenciado na síndrome é o estresse, que é desenvolvido pela sobrecarga do organismo em adaptar-se a acontecimentos. Entre as situações de estresse emocional estão, por exemplo, a morte de um familiar, um assalto, perda financeira, separação ou divórcio, doenças mentais em familiares, entre outras. As situações de estresse físico podem ser traumas, pós-operatório, doenças pulmonares, quadros infecciosos, hipertireoidismo, septicemia.

Nóbrega e Brito relatam em sua publicação que, recentemente, foi descrito um caso dessa síndrome ocorrido na sequência da visualização de um filme de ação 3D, constituindo a primeira publicação da síndrome associada a estimulação visual.

Características

Caracteriza‐se por um início agudo de sintomas e alterações eletrocardiográficas semelhantes a uma síndrome coronária aguda, porém sem doença arterial coronária obstrutiva.

Os sinais e sintomas, idênticos aos da Síndrome Coronariana Aguda (SCA) ou Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) são: ECG com alterações típicas da contratilidade segmentar do ventrículo esquerdo, supradesnivelamento de segmento ST, dor precordial, palpitações, dispneia, náuseas, diaforese, e alterações de enzimas cardíacas.

O quadro clínico, costuma reverter totalmente em dias ou semanas.

A Síndrome de Takotsubo, por assemelhar-se ao IAM é ameaçadora e pode representar uma série de obstáculos aos projetos de vida, suscitando crises, nem sempre passíveis de superação.

Diagnóstico

É realizado por meio de cineangiocoronariografia e ventriculografia para exclusão da doença arterial coronariana obstrutiva.

No caso de Miocardiopatia de Takotsubo observa-se o ventrículo com aparência de ânfora ou haltere.

Síndrome de Takotsubo - Ilustração

Imagem: (A) Desenho da ânfora utilizada para pegar polvos, denominada takotsubo em japonês, que caracteriza o formato do ventrículo esquerdo ao final da sístole. (B) Ventriculografia que mostra hipocinesia do ventrículo esquerdo em sístole.

Tratamento

Não existe um tratamento padronizado devido à sua reversibilidade e incerteza fisiopatológica.

Na fase aguda, o tratamento baseia-se na minimização dos sintomas, com terapia de suporte para a disfunção sistólica, uso de β-bloqueadores e inibidores da enzima de conversão da angiotensina (ECA), evitando complicações agudas como Edema Agudo de Pulmão (EAP), choque cardiogênico, entre outras.

Prognóstico

Sabe-se que seu prognóstico é bem favorável, com recuperação da função ventricular, desaparecimento dos sintomas e das alterações eletrocardiográficas, e normalização dos marcadores miocárdicos em aproximadamente oito semanas.




Complicações

A insuficiência cardíaca é a complicação mais frequente e em alguns casos acompanhada de edema pulmonar. Podem ocorrer, porém menos frequentes, arritmias, instabilidade hemodinâmica com hipotensão, embolia e choque cardiogênico. (Sousa et al)

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Prof. Dra. Elizabeth Galvão

Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN). É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.


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