Terapia assistida por animais

Você sabia que a Terapia Assistida por Animais tem trazido vários benefícios para os pacientes internados?

Ela é uma das estratégias que o enfermeiro pode utilizar para tornar as hospitalizações menos traumáticas.

Definição

A TAA, também chamada de cinoterapia, zooterapia, pet terapia, etc, é uma intervenção direcionada, individualizada, em que o animal (na maioria das vezes um cão) é parte integrante do processo de tratamento, devendo ser aplicada, documentada, avaliada e supervisionada por profissionais de saúde.

Nas últimas décadas, essa terapia tem sido utilizada em diferentes programas de reabilitação, inclusive amparada pelo Programa Nacional da Assistência Hospitalar (PNHAH) do Ministério da Saúde que visa, entre outros objetivos,   difundir uma nova cultura de humanização na rede hospitalar pública brasileira, capacitar os profissionais dos hospitais para um novo conceito de assistência à saúde que valorize a vida humana e a cidadania e conceber e implantar novas iniciativas de humanização dos hospitais que venham a beneficiar os usuários e os profissionais de saúde.

E esses bichinhos fofos trabalham ativamente nas atividades, como mediadores entre os profissionais de saúde e os pacientes. Além do amor incondicional que proporcionam, eles motivam e incentivam os pacientes a realizarem as atividades necessárias, proporcionando bem-estar e melhorando a qualidade de vida.

Por esse motivo, devem ser respeitados até mesmo por quem não tem afinidade com animais.

Mas, quem não gosta de animais?

É difícil, principalmente cães e gatos, que a maioria de nós mantém em casa como um membro da família, num perfeito matrimônio: “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”.

Benefícios

A TAA gera uma série de benefícios para o paciente e, por extensão, para a equipe de assistência:

  • Contribui no aperfeiçoamento de habilidades motoras
  • Melhora a adesão ao tratamento
  • Melhora a capacidade de atenção
  • Reduz a ansiedade e o sentimento de solidão
  • Auxilia no enfrentamento de procedimentos dolorosos
  • Incentiva a luta pela saúde e vida
  • Melhora a relação interpessoal
  • Controla o estresse e possibilita a diminuição da pressão arterial
  • Desenvolve a autoestima e autoconfiança
  • Motiva a deambulação e a saída do leito
  • Estimula a memória imediata e de longo prazo
  • Promove aumento do vocabulário

Além disso, alguns estudos demonstram que a interação com animais, como um simples afago em seu pelo, parece interferir de forma positiva na neurofisiologia cerebral, liberando hormônios como a endorfina e a dopamina e reduzindo o cortisol, fato que proporciona sensação de bem-estar e melhora o sistema imunológico.

Locais em que a terapia pode ser aplicada:

  • Hospitais
  • Clínicas
  • Ambulatórios
  • Instituições de longa permanência
  • Centros de reabilitação motora
  • Centros de atenção psicossocial

Quais bichinhos?

Vários animais podem ser utilizados, como gatos, coelhos, tartarugas, pássaros, e outros, desde que atendam aos pré-requisitos. Mas o cão é o mais utilizado, pela interação ativa e demonstrações de afeto e por ser o animal mais bem aceito.

E durante as visitas, esses “co-terapeutas” fazem surgir frases como: “fiz carinho, cócegas na barriga dele e me senti melhor”; “eu passei a mão nele…” ; “ele parecia sentir que eu estava meio pra baixo e logo vinha me fazer um carinho”.

Pré-requisitos para o animal integrar o programa:

  • Avaliação veterinária, tratamentos periódicos, higiene e tosa, conforme as recomendações
  • Não deve ter contato com outros animais de rua
  • Deve ser treinado
  • Ter comportamento dócil
  • Ter tolerância ao toque
  • Obediência ou resposta aos comandos

Passos para a implantação de um programa de atendimento com TAA:

  1. Elaborar um projeto e conseguir a autorização da direção do hospital. Vale ressaltar que o projeto deve atender as recomendações das organizações americanas Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e Healthcare Infection Control Practices Advisory Committee (HICPAC)
  2. Obter aprovação da diretoria e do corpo clínico do hospital
  3. Obter aprovação e a autorização da Comissão de Infecção Hospitalar
  4. Selecionar o animal
  5. Selecionar as unidades que receberão este atendimento
  6. Elaborar uma rotina do atendimento

Recomendações das organizações americanas (Kobayashi et al):

Em relação ao animal:

  • Deve realizar avaliação veterinária periódica e apresentar certificado de saúde
  • Deve realizar tratamento antiparasitário intestinal periodicamente
  • Não ser portador de Salmonella SP, Campylobacter SP ou Giárdia intestinal, ou até que estejam tratados e tenham teste negativo para as mesmas
  • Ser selecionado e treinado por profissionais
  • Deve tomar banho previamente às visitas (menos de 24 horas)
  • Deve receber tosas periódicas (conforme o tipo e a raça do animal)
  • Não pode ter contato com outros animais de rua
  • Deve receber a avaliação, a aprovação e a autorização da Comissão de Infecção Hospitalar

Em relação ao paciente:

  • Deve concordar em receber a visita do animal (os menores de idade devem ter a autorização prévia dos pais ou responsáveis)
  • Não é recomendada a participação de pacientes que apresentarem fobia por animais, que forem imunocomprometidos, esplenectomizados, neutropênicos, ou apresentarem alergias e problemas respiratórios
  • Evitar maltratar o animal, induzindo-o a uma resposta violenta
  • Realizar a higiene das mãos após o contato com os animais
  • Evitar que o animal lamba pele, feridas ou dispositivos
  • Evitar o contato com saliva, urina e fezes dos animais
  • Informar qualquer incidente com o animal (como mordidas, arranhões, ou alterações de comportamento do animal) à coordenação do programa e à Comissão de Controle de Infecção da instituição para tratamento conforme o preconizado

 Em relação à coordenação do programa e equipe de saúde:

 É recomendável a concordância prévia do corpo clínico responsável pela unidade hospitalar

  • Não se recomendam visitas em unidades de terapia intensiva, no entanto, alguns pacientes crônicos e conscientes poderão beneficiar-se da TAA
  • Limitar o acesso dos animais nas áreas de preparação de alimentos e medicação, lavanderia, central de esterilização e desinfecção, sala de cirurgia e de isolamento
  • As visitas deverão ocorrer junto ao treinador e a um profissional da equipe de saúde

O enfermeiro tem papel importante nesta terapia, pois, ao usá-la, juntamente com a comunicação, pode estabelecer um relacionamento efetivo com o paciente, ofertando-lhe mais conforto e fazendo emergir sentimentos de autoestima e autoconfiança.

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Prof. Dra. Elizabeth Galvão

Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN). É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.


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